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daí veio a enxurrada...

Leonardo | 06 Abril, 2008 12:10


 

Émerson Fittipaldi, dirigindo a Lotus no GP da França com a qual foi campeão mundial de F1 em 1972
Fonte Desconhecida
 

[[background: desde que cheguei ao Brasil, que para minha tristeza já faz 5 longos meses, liguei a TV 8 vezes:
- 2 DVDs
- 2 treinos de F1
- 3 corridas de F1
- 1 canal da MTV enquanto tomava café (sem som)]]

 

Hoje o Felipe ganhou o GP de  Bahrain. Na Malasia, jogou o segundo lugar no lixo. Mas nem um assunto, nem o outro é o foco desse post.

 

Você, meu contemporâneo, mesmo que não curta automobilismo de competição, mais especificamente a Fórmula 1; mesmo que não tenha assistido, mesmerizado, os duelos de Nigel Mansel e Piquet; mesmo que não tenha se chocado com a terrível imagem de Niki Lauda em chamas, mesmo que não tenha tido uma miniatura da Lotus preta "John Player Special" aos 3 anos de idade, sem a qual não saía de casa; mesmo assim, tenho certeza que você se sentia emociado e orgulhoso, um pouquinho ou um montão, quando estava preparando o almoço, comendo um churrasco, curando a ressaca da noite anterior, voltando da missa ou depois de ter ficado quase duas horas grudado na frente da tv e ouvia o "Tema da Vitória" e sabia: "Ayrton faturou mais uma!".

 

Senna tomou o mundo da Fórmula 1, do automobilismo, para si e entregou-o de bandeija, ou melhor em taças, de volta para os brasileiros e para aqueles que indistintamente de nacionalidade, amavam as corridas de Fórmula 1. A Lotus preta John Player Special que me fazia mais pesado ao colo de minha mãe era do Émerson, com ela campeão em 1972, mas minhas lembranças sempre foram vinculadas à super-peformance de Senna, debaixo de chuva forte no GP de Estoril, em 1985 (...para não mencionar o espetáculo que proporcionou ao mundo no ano anterior, dirigindo a Toleman - um carrinho de merda, na época - no GP de Mônaco, quando Jack Ickx, o diretor da prova, teve que encerrá-la debaixo de uma chuva torrencial a pedidos desesperados de Prost, que via sua vitória escoar para o ralo por causa de um "ninguém" que vinha lá de trás, pilotando como se o sol estivesse a pico!).

 

Ayrton Senna na primeira vitória de sua carreira, sob chuva, conduzindo a lendária Lotus Preta no GP de Portugal, 1985
Fonte:  AP

 

Nostalgias, à parte, voltemos ao dia de hoje. Nos últimos 8 anos, acompanhei a Fórmula 1 como pude, o que significou nos anos vividos nos Estados Unidos, muita web e pouca tv e no Canadá, sempre assistindo às transmissões narradas pelo já lendário bretão, James Allen.

 

Daí o dia é hoje. Daí a transmissão é da Globo. Daí o Felipe vence. Daí oito anos depois ouço o "Tema da Vitória". Daí a memória entra em turbilhão. Daí as emoções vêm à tona. Daí a química se altera no corpo. Daí não teve jeito. Daí a lágrima escorreu.

 


Felipe Massa no topo do pódium do GP de Bahrain, 2008
Fonte: AFP

 

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