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Montreal andava bem fria para aquela época do ano, final de outono, início de inverno. Já havia nevado algumas vezes e a temperatura mínima que interessa (a que leva em consideração a humidade relativa do ar e a velocidade do vento) já havia batido 18 graus negativos. Surpreendemente, naquele domingo ensolarado a temperatura atingira 5 graus positivos, praticamente um verão! Os dois decidiram se apressar e sair para aproveitar o dia, a luz do sol, já que certamente as 4:30 da tarde a escuridão já teria se anunciado.
Pararam na porta do prédio para terminar de vestir seus agasalhos quando ele reparou no táxi à porta do apart-hotel onde moravam. O motorista retirava uma pequena mala com rodinhas e alça retrátil do porta-malas enquanto a moça o esperava para pagar a corrida. O longo casaco preto protegia o corpo da moça cumprindo seu propósito e ao cumprí-lo, lhe escondia os dotes, mas deixava escapar perfeitas proporções. Mas ao atento observador o que chamou a atenção foram os cabelos loiros que deslizavam sobre uma face esculpida em Carrara, que imediatamente o incitou a dizer à esposa enquanto taticamente diminuia a velocidade na qual abotoava seu casaco e calçava luvas e gorro:
- “Nooooossa, Amor! Olha lá que menina liiiiinda!”
- “É… linda mesmo! Meio maquiada demais para esta hora do dia, não?”
- “Olha a etiqueta na mala dela. Acabou de chegar do aeroporto. Por incrível que pareça ainda tem gente que se arruma prá viajar de avião… haha…”
- “Vamos?”
- “Caaaalma…”
Apesar do domingo, a recém-chegada vinha a trabalho pois exigiu do taxista um recibo para certamente reaver a despesa. Apesar de relativamente pequena, a mala associada à bolsa de mão, uma pequena sacola, cachecol, luvas e gorro que com certeza teriam sido excessivos com o aquecimento do carro, tornou a tarefa de subir os 6 degraus até a entrada um tanto quanto desajeitada. Imediatamente o “despretensioso” e gentil cavalheiro tratou de socorrê-la:
- “Let me get this for you!”
- “Oh... thanks! Take care, it’s heavy!”
Ao que ele não perdeu a chance de demonstrar sua boa condição física levantando a mala sem demonstrar o real esforço que teve que fazer. E ela:
- “Thank you so much!”
- “Do you have the keys to get in?”
- “No, I guess I’ll just call the building sup”
- “Sure, go ahead! Just dial 000 on the panel. But it’s Sunday, you know… they always vanish.”
Ela digitou e ouviu:
- “Oui?”
- “Ohh Hi! I’m Jennifer Stewart from Lóreal USA and I have a reservation for an apartment.”
- “Ehhhhh…”
A incompetência e despreparo montrealês já virara rotina para ele, mas Jennifer ficou estática e muda ao ouvir a linha cair sem uma resposta adequada, ao que ele sugeriu:
- “You know what? Let me unlock this door for you. At least you’ll be able to wait comfortably inside”
- “Those armchairs look really comfy. Thank you so much, you’re very kind!”
- “No prob.”
De volta à companhia da esposa que pacientemente o esperava com um sorriso, abraçaram-se e caminharam. Ela, para não perder a oportunidade, foi cutucando:
- “Você, hein?!?! Não perde uma chance!”
- “Que é isso? Eu só estava sendo gentil com a moça” disse ele em tom semi-sarcástico.
- “Sei. E se fosse um homem?” perguntou rindo.
- “Se fosse um homem eu não teria ajudado porque quando o taxista tivesse terminado de preencher o recibo nós já estaríamos lá na esquina!”
- “E se fosse uma mulher feia?”
- “Depende da idade.” Respondeu ele. “Se fosse nova, também já estaríamos na esquina, mas se fosse uma coroa ou uma velhinha ou se estivesse grávida ou talvez com alguma deficiência física eu teria ajudado do mesmo jeito. Ainda mais se for de fora! Você me conhece… sabe que eu não deixaria de ajudar.”
- “Mas não é justo com as feínhas!” ela reclamou.
- “Nem com os homens! Mas quem disse que eu faço parte da Liga da Justiça?”
- “E se fosse uma gostosa mas feia?”
- “Ahhh… neste caso eu a teria ajudado até ao apartamento dela, oferecido um cafezinho brasileiro lá em casa… hahahaha!”
- “Como assim? Por que?”
- “Ah… Amor! Mulher bonita e gostosa só serve prá duas coisas: casar ou arrumar confusão. Já me casei com uma e estou correndo de confusão… já uma gostosa e feia é o prato perfeito! Eu posso zoar sem que você se sinta insegura”.
Sem se desvencilhar do braço dele ela lhe dá um tapa no peito e reclama:
- “Ahh seu nojento! Eu sei que você não se casou comigo por causa do meu corpo e do meu rosto! Bom… não exclusivamente por este motivo. Mas você me acha tão insegura assim, tão superficial assim que eu me abalaria toda só porque além de gostosa a menina é bonita? Acha mesmo que não aprendi nada nestes anos todos?? Prá você não passa de um pedaço de carne!”
- “É verdade! Mas é um pedaço de carne que não está no açougue. Prá comer, antes tem que seduzir. Diz a verdade, é menos insuportável prá você me ver cantando uma garota linda, maravilhosa e super gostosa ou uma potranca feiosa?” desafiou no embate cômico.
- “Tá bom…” respondeu ela com cara de reprovação armada, dessas que se faz para uma criança que derramou o suco no chão... e completou: “dá-lhe ‘pussy power’, hein?!”
- “Total!”
Riram, beijaram-se e curtiram o dia.
Na terça-feira seguinte vindo do escritório do apart-hotel onde novamente o atendimento havia deixado a desejar, ele passava em frente ao elevador que se fechava, quando ouviu alguém clamando da portaria:
- “Hold that up, please!”
Por reação, enfiou o braço na porta que se fechava ativando o mecanismo de segurança do elevador, causando a abertura do mesmo. Dentro do elevador, para sua alegria, dois moradores francofônicos (uma senhora com seu cachorrinho nos braços e um senhor cheio de tiques) que olharam com suas caras aborrecidas e antipáticas. Qualquer um dos dois poderia ter apertado o botão de abertura da porta mas não o fizeram especialmente, julgou ele, por terem ouvido um pedido feito em inglês. Bando de imprestáveis, pensou. Na rapidez do evento e na doce satisfação de fazer os emburrados esperar, só notara que a nova passageira era a tal Jennifer quando esta lhe sorriu e disse:
- “Hi!” … olhares trocados… “Thanks!”
- “Oh hi! You’re welcome.”

Quarta-feira, 3 da tarde era seu horário preferido para a lavação das roupas. Desde que começara a seguir esta rotina, sempre tivera a lavanderia inteiramente para si. Quatorze lavadoras e doze secadoras a sua inteira disposição. Além da privacidade, podia sempre escolher as lavadoras números 1 e 7 que ficavam de frente para as secadoras 6 e 12, que diferentemente das demais ofereciam um ciclo de 45 minutos ao invés dos 30 regulares, pelo mesmo preço. Privacidade que fazia-se ainda mais importante para que ele pudesse fazer caretas para a única câmera de segurança da lavanderia cuja imagem era transmitida para uma tela no escritório juntamente com mais outras imagens de 19 câmeras espalhadas pelo prédio. Por sua vez este monitor era “brilhantemente” posicionado de forma tal que os funcionários lhe davam as costas enquanto os clientes, de pé ao balcão, tinham a mais perfeita visão de tudo o que se passava…
Estava ele pulando na tentativa de ser enquadrado pela câmera de segurança e fazendo caretas quando de repente ouviu um risinho abafado. Olhou para a porta da lavanderia e pelo vidro reconheceu Jennifer do outro lado, presenciando aquela cena pouco convencional. Ela controlou suas risadas enquanto ele corou de vergonha.
- “Hi.” disse ele enquanto pensava em se matar de porrada.
- “We meet again! How are you?”
- “Yeah… good, you?”
- “Good. Gotta take care of this laundry though…” disse ela, fazendo cara de preguiça.
- “I know, it’s a pain…” tentando ser solidário e já relaxando e se esquecendo da manota de pouco antes mas que ela não deixou escapar…
- “Hmmm… it seemed pretty fun to me!” disse sorrindo.
Enquanto ela colocava suas roupas na máquina ele reparou, examinou, detalhou e concluiu que além de bonita, esta americaninha era muito “da gostosa”! Diferente das outras vezes que a encontrara, desta vez sem maquiagem, vestindo jeans, camiseta e calçando um chinelinho, sua verdadeira beleza fluia livremente. Ele sempre preferiu as morenas, mas quis o destino, sempre se enrolou com as branquinhas: loiras, ruivas, orientais… às vezes, na época em que lia sua agenda telefônica como a um cardápio, caia nas graças também das negras, mas as tais morenas que ele tanto adorava… que raridade!
Repentinamente sua viagem pelas curvas da beldade foi interrompida: Ela fazendo beicinho, olhando para a lavadora segurando um monte de moedas sem encontrar na máquina um local para inserí-las.
- “Oh!!” disse ele já preparando o tom de super-herói prestes a resgatar a mocinha mais uma vez “these are not coin operated… let me see your keys”
E conforme esperado junto das chaves, lá estava o smart card da lavanderia. Num segundo de maldade, olhou para os cabelos dela e pensou “pelo menos o cartão é smart…”
- “See? You have to charge this card on that machine over there. Then you insert it here and choose your cycle. But the machine does not take coins, only bills…”
- “Really? Shoot! I only have twenties… do they refund you at the office?”
Já sabendo bem aonde isto iria dar, ele responde:
- “I don’t think so…” olhou para ela, deixou-a esperando um pouco… sorriu e continuou “gimme your coins. Here’s a five… go ahead and take it!”.
Daí, ele começou a executar seu meticuloso plano de canalhice sedutora. Primeiro foi lá ajudar no uso da máquina de créditos à prova de burrice, mas que por ter instruções em francês, proporcionava o gancho necessário. E a loira correspondendo… Depois foi a hora de explicar a ela que as máquinas deste lado da lavanderia eram de uso exclusivo dos usuários com seu próprio sabão, que para utilizar o sabão automático ela teria que retirar suas roupas da lavadora e colocá-las em outra no lado oposto… mas… que isto não seria necessário pois ela poderia utilizar o seu sabão e amaciante. Ao que ela respondeu engraçadinha:
- “Ohhh… you’re my hero!”
A conversa foi se estendendo. Ela era de Boston, cidade onde ele havia morado por 3 anos, o que facilitou enormemente a disposição tática dos argumentos que, se ele tivesse muita sorte, talvez o levassem ao seu objetivo estratégico.
Roupa lavada e já na secadora, a conversa seca abruptamente. Sem maiores motivos a moçoila começa a ficar arredia, talvez percebendo instintivamente a intenção do abate. Ele, que nunca foi de jogar charme a quem não está interessada, despediu-se e subiu para seu apartamento, lutando para deixar para trás também as fantasias de um threesome, ou ménage à trois, como diriam os locais, com aquela loira deliciosa.
Algum tempo depois, ainda lamentando-se e conformando-se, dizia a si mesmo enquanto descia no elevador para buscar suas roupas: “Quer o que? O tempo está passando! Você não é mais o mesmo… e mesmo que fosse, depois de tantos anos vivendo no cercado (por opção própria, verdade seja dita), já perdeu o traquejo… e pior ainda… mesmo que não tivesse perdido, o traquejo de hoje não é mais o mesmo dos seus bons tempos… o negócio hoje é ‘fo shizzle, ma nizzle’…'wazzup y'all'” Ele não havia reparado que enquanto suas roupas secaram num ciclo de 45 minutos, as dela secaram em outro de 30 que havia começado depois do seu. Resultado: lá estava ela, achagada catando suas roupas na secadora abaixo da sua.
Silêncio total. Constrangimento total. Ele não queria que ela pensasse que ele programou tudo para se reencontrar com ela. “Merda!”, pensou. Se havia uma coisa que ele não suportava era paparicar mulher que se acha o máximo sem lhe dar bola… E lá estava ele, espremido na parede sem fazer nada, tentando decidir se seria gentil e a esperaria terminar ou se a ignorava, como é a regra daquelas bandas, e esvaziava o compartimento superior ao mesmo tempo. Bastou uma rápida olhada para baixo para decidir.
Reparou bem no decote da camiseta e viu o sutiã que ajudava a sustentar os voluptuosos mas firmes seios. Tombou a cabeça e viu aquela calcinha string desaparecendo nas profundezas daqueles glúteos avantajados… ficou lá, hipnotizado. Lá pelas tantas, Jennifer percebeu o que se passava e ele “puto” consigo mesmo por ser pego ali babando descaradamente, mas sempre fiel a sua natureza de não tentar disfarçar ou se desculpar por seus instintos, simplesmente travou seu olhar no dela por alguns segundos, o suficiente apenas para que ambos realizassem que ambos sabiam muito bem o que estava se passando e pronto. Quando virava seu rosto, um choque!!!!! Ouviu e sentiu:
- “You know what? You’re always so kind to me… you’re always helping me out… and I never got the chance to thank you properly…”

Os segundos que ela levou para dizer estas frases foram os mesmos segundos necessários para que ela acariciasse, liberasse e engolisse o pênis que ao primeiro toque já ficara rijo feito uma rocha. Ele olhava confuso para aquela cena e pensava, cada vez mais excitado: “mas isto aqui não é cena de filminho pornô classe B? Isto não é conto de blogueiro metido a besta? Isto acontece na vida real? Isto?? Isto…”
A excitação do momento nocauteou os poucos neurônios que insistiam em lhe prover de alguma razão. A surrealidade daquela cena, o risco de alguém aparecer, a preocupação com ângulo máximo daquela câmera de segurança e aquele “tesão” de mulher sugando seu pinto com se estivesse buscando o antídoto para um envenenamento fatal… tudo aquilo foi demais para ele que em pouco mais de 10 minutos rendeu-se em leite para aquela mulher sedenta.
Quando voltou a si, viu a linda mulher a seus pés sorrindo um sorriso de “missão cumprida”, lambendo os lábios já secos e terminando de recolher as roupas em sua sacola e perguntou:
- “Do I get to see you again?”
- “I don’t think so, babe… I’m gonna work the whole day tomorrow then I’ll come back just to pack up and fly back home”
- “What about tonight?”
- “What about your wife?”
- “I’m sure she’d love to meet you…”
- “Really???”, em tom duvidoso...
Poucas horas mais tarde sua esposa chega do trabalho e com uma expressão que revelava um misto de surpresa, curiosidade, ciúmes, incredulidade e excitação, ouviu:
- “Hon’… there’s someone here I’d like you to meet…”
e então...
ele a processou por assédio sexual. Foram de filme pornô para blockbuster.
Bem, leo, acho que esse "trem" pode continuar...
tita | 14/12/2006, 19:44
este blog está ficando quente. piu piu.
marcia | 14/12/2006, 20:58
Ah...Intervalo?
Menino, tem continuação essa história? Quero saber a reação da mulher e se vai aprofundar (ops) ainda mais no porn ou partir para terror e sangue prá todo lado!
Vou ali comprar a pipoca e já volto.
Beijo
Aleksandra Pereira | 15/12/2006, 08:51
Mmmmmmmmm
Gostei do conto...
! É bem verdade que ménage à trois eu estou fora, sou muito ciumenta para conceber qualquer coisa a 3... mas fantasias são meu forte.
Mas agora voltando ao seu pedido, acho que vou voltar a postar lá sim, a questão é que esse projeto ficou meui esquecido na época da campanha e depois com o Koukla, que toma mais tempo, eu nunca mais retomei.
Olha não me chama não que eu vou...é bem verdade que agora eu não tenho dinheiro nem para ir em Caruaru...mas isso não quer dizer nada, eu já consegui ir longe, quem sabe um dia não consigo ir fazer uma visita a vc em Montreal, realmente preciso desestressar!
E só de curiosidade, o contista gosta mesmo de morenas??? Hoemns sempre dizem que gostam de morenas, mas na verdade babam mesmo pelas loiras
Hehehehehe.
Um cheiro no seu coração e beijos para a família.
Jan | 15/12/2006, 09:03
Eu acho que a esposa topou uma "festinha" depois.
Mas, não poderei ficar aqui muito tempo comentando depois de ter lido conto de tamanha sensualidade...
21
é o dia do meu aniversário
, acho que eu vou postar minha linha do tempo...vc já fez linha do tempo no colégio?????heheheheh.
Beijão.
Tita e Alê,
Deixo a continuação a critério da criatividade de cada um... ![]()
Beijo,
Leonardo | 18/12/2006, 14:19
Pinta, tá quentinho aí?? piu piu...
Leonardo | 18/12/2006, 14:20
Janine,
O projeto de contista que vos escreve é verdadeiramente apaixonado pelas morenas. Elas estão numa categoria só delas! É assim... existe meu Amor, as morenas e as outras.
Beijo,
Leonardo | 18/12/2006, 14:23
Carlinha, acho que melhor que ninguém você soubre aproveitar o "faz de *conto*"... ![]()
Beijo,
Leonardo | 18/12/2006, 14:25
Ah, Leo, solta a pena e desce mais um conto pra gente, vai!?
Beijo
Aleksandra Pereira | 18/12/2006, 16:26
Alê, quem "solta a pena" é a Pinta... ![]()
Beijo!!
Leonardo | 18/12/2006, 16:37
ops. desculpe, caiu uma aí. ![]()
Léo, isso está com cara de 'causo' real ou é impressão minha? Ou então foi um sonho que tiveste depois de fotografar a bonequinha gostosa do post. ![]()
Tb quero saber no que deu (ops) essa história.
[]
Felipe | 19/12/2006, 15:35
(cough! cough!) Nada a declarar... (cough! cough!) Nada a declarar...
![]()
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