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cores, frequências, pokémon e alerta aos pais

Leonardo | 04 Maio, 2006 16:54


Com esta estória de 3D, compositing e animação tenho lido muito e descoberto, literalmente, uma nova forma de ver o mundo. Aqueles com formação em artes visuais sabem bem que o primeiro talento a ser educado e aprimorado é o da visão. Aprender a detectar perspectivas, focos, proporções, profundidades, cores, brilhos, contrastes, sombras. Conhecer as limitações de reprodução de imagem em mídias como animação, cinema, vídeo digital e analógico e seus padrões.


Raio lançado por Pikachu

Entender a forma como processamos as imagens em nosso cérebro, as nossas limitações fisiológicas para detectar mudanças em gamma e chroma, os artifícios que usamos para detectar profundidade e determinar foco, a relação das cores e linhas que determina conceitos universais de beleza e feiúra... enfim, é um mar de informações no qual só botei um pé e que, com certeza, ainda vai me dar muitos 'caldos' antes que eu aprenda a nele nadar (não é, Cynthia?!)!

Uma das curiosidades que aprendi chamou minha atenção suficientemente para escrever um pequeno alerta aos pais de crianças que ainda passam várias horas assistindo a desenhos animados na TV. Uma introdução, porém, se faz necessária: Todas as informações visuais que recebemos formam um emaranhado que é processado simultaneamente: luz, cores, brilhos, contrastes, focos, fundos, iluminação indireta, sombras, frequências de reprodução... Para complicar, enquanto estamos vendo nossos olhos nunca param. Literalmente! Nossos olhos realizam micro movimentos a todo instante, mesmo quando olhamos fixamente para um ponto. Estes movimentos se chamam "saccades" (sorry, não sei em Português). Só prá que você tenha uma idéia, se eliminarmos os "saccades", ou seja, se conseguirmos congelar a retina em um ponto fixo sem qualquer movimento, basta um período de 1 a 3 segundos para experimentarmos uma cegueira temporária! A contínua frequência do movimento das retinas é vital para que possamos enxergar.

Outra frequência muito importante, quando vemos imagens bidimensionais reproduzidas em TV, cinema, monitor, etc é a frequência de atualização da tela, ou "refresh rate". Para simplificar, vamos assumir um "refresh rate" fixo de 24 quadros por segundo. Isto quer dizer que sua TV atualiza a tela com uma nova imagem 24 vezes a cada segundo (deixemos de lado também o detalhe de imagens progressivas ou entrelaçadas). Quando casamos uma certa frequência de "saccades" de amplitude muito pequena (afinal de contas, estamos focando uma área muito pequena, a tela de uma TV) com frequências de repetição também muito pequenas, corremos o risco de fornecer mais informação visual do que nosso cérebro pode processar e o resultado pode ir do desconforto até mesmo a convulsões e epilepsia!

Um excelente exemplo deste risco ocorreu no Japão, as 18:50 horas do dia 16 de dezembro de 1997, quando foi transmitido o episódio "Porygon, O Soldado Digital" da série Pokémon de desenhos animados. Aos vinte minutos do show, "Pikachu" dispara um raio para aniquilar um ataque de mísseis, gerando uma grande explosão nas cores vermelha e azul. Cenas similares ocorrem a todo instante nesta e em outras séries de desenhos animados, mas esta particularmente foi muito intensa devido ao envolvimento emocional da estória, à longa duração (4 segundos de tela quase "cheia" e 2 segundos de tela absolutamente "cheia";) e à elevada frequência intermitente das duas cores (12 Hz); ou seja, as cores vermelha e azul piscaram 12 vezes em 6 segundos! Neste momento, várias pessoas sofreram desconforto, náusea, convulsões, epilepsia e perda de consciência. Os hospitais receberam várias chamadas e 685 crianças foram recolhidas em ambulâncias (310 meninos, 375 meninas). Apesar da maioria das crianças ter se recuperado nas ambulâncias a caminho do hospital, 150 precisaram ser internadas e destas, duas permaneceram nos hospitais por mais de duas semanas.


Sequência de explosões

O risco é claro e verdadeiro! Segundo cientistas, de 0.05 a 0.08 % de crianças entre 4 e 14 anos são susceptíveis à epilepsia por estímulo visual, 6 em cada 1.000 crianças, em média. Como seguro morreu de velho, não deixe crianças sob seus cuidados assistir a desenhos animados muito perto da TV e em ambiente pouco iluminado. A conclusão é que não interessa a idade, divertimento só é bom se vier dosado de responsabilidade. :)

 
Uauuuuu! [Responder]

Muitas vezes questionei se estava fazendo a coisa certa, mas simplesmente não deixei meus filhotes assistirem TV até os 4 ou 5 anos de idade... Depois me deu uma culpa, porque achei que eles ficavam alheios a um universo de informações... Mesmo assim, controlava o tempo que ficavam assistindo aos programas!
Acho que criança tem que por o pé no chão, brincar na terra, se sujar, experimentar e não ficar contemplativamente assistindo as coisas acontecerem.
Gostei demais de ler o teu post!
Beijos!

Ana | 04/05/2006, 20:10

 
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pokémon é o melhor desenho já feito no mundo inteiro

geovanni | 27/08/2008, 17:58

 
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eu me arrisquei e tentei assistir esse epsódio o numero 38 eu fiquei aguniado com vontade de sair correndo e quebrar tudo na minha frente foi uma sensação horrível!!!

Mildes FernandoOliveira Santos | 14/09/2008, 12:29

 
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sei não mas acho que pokemon não é nada bom pra se asssistir, talvez não faça bnem as pessoas, mas faça mal...
já ouvi várias histórias de pokemón tem alguma relação com coisas diabólicas...

carlos | 14/11/2008, 16:41

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