minha sereia

Leonardo | 13 Julho, 2006 12:20


Chega a noite. Olho você na cama em sono inabalável, ou quase.
Mais que o cansaço, sou dragado às avessas para o fundo do seu mar
pelo canto sedutor do seu ar, seu respirar.
Jogo-me na cama qual bandido, da prancha, em alto-mar
mas arbítrio não há, só liberdade.
Ao seu lado lhe decoro, até que toco.
Toque, esperança. Toque, decreto. Toque de fato.
Este peixe já tem fisgo! No anzol dos olhos, na linha dos cachos, na firme vara.
Toco e digo à quintessência do parco consciente seu:
- Sou eu, seu pescador! Seu marujo, seu senhor e seu escravo! Mergulha as águas dos sonhos que daqui lhe amparo.
Assim sigo a vê-la no fraco contraste dos escuros cinzas,
nas turvas águas dos pensamentos desconexos.
Enfim cedo, entrego-me e mergulho com você nas águas profundas da escuridão.

Abro os olhos. Não me afoguei.
Outra vez e sempre, você me resgata, me salva
e cria pernas.

Minha Sereia, Minha Mãe D'água, Minha Iara. Amém.

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